A estiagem em Pelotas

19/03/20
Por: Robson Becker Loeck
robson.loeck@gmail.com

Está disponível para consulta no Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar o “Relatório Técnico Circunstanciado da Estiagem em Pelotas/RS”, que foi elaborado em conjunto com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural. Nele há uma série de informações sobre a situação das famílias e das atividades produtivas no interior do município, como as que seguem abaixo.

O baixo volume, a desuniformidade e a dispersividade das chuvas, desde dezembro do ano passado, afetaram a época da semeadura e o desenvolvimento das lavouras, principalmente, das de grãos. De janeiro até o presente momento, o quadro hídrico não se alterou e acarreta, para além das dificuldades enfrentadas nas lavouras e nas criações, a falta de água nas propriedades, tanto para consumo humano como para dessedentação dos animais, atingindo, respectivamente, 326 famílias e 312 propriedades.

O esperado para o período era de 473 mm de chuvas, contudo o que se apresentou foi somente 109,4 mm, diminuindo o volume dos reservatórios e prejudicando a irrigação e a produção das hortaliças e das frutíferas. A falta de chuva também acabou por afetar a produção pecuária e o desenvolvimento das lavouras de grãos e de tabaco. Com reflexos futuros, as perdas agropecuárias no município são relevantes e foram estimadas, chegando a 50% no milho, 40% na soja, 30% no tabaco, 40% na olericultura, 5% na fruticultura, 20% na pecuária de leite e 10% na pecuária de corte, totalizando um prejuízo de R$ 93.597.392,00.

Essa quantia atinge em cheio as famílias de agricultores familiares que, muito provavelmente, terão dificuldades de saldar seus atuais financiamentos e, consequentemente, menor capacidade de investimento/custeio para o próximo ano agrícola. Soma-se a isso, todo o saldo negativo no setor de serviços agropecuários, nas cooperativas e nas agroindústrias locais.

Os danos ambientais também não podem ser desconsiderados, pois além dos prejuízos financeiros decorrentes das queimadas ocorridas nos campos, pastagens e florestas, é preciso apontar a degradação da fauna e flora e o tempo necessário para regeneração do equilíbrio do ecossistema local.

Ainda sobre os ônus da estiagem, convém ressaltar que se somam aos já apontados problemas econômicos e ambientais os de ordem social, como o desestímulo ao trabalho agropecuário, advindo da diminuição da autoestima individual e do desgaste emocional familiar. Diante disso tudo, agora, mais do que nunca, a presença do poder público nas propriedades, por meio da extensão rural, se faz necessária para superar as dificuldades, o empobrecimento e evitar o êxodo rural.

Robson Loeck (Sociólogo), Rodrigo Prestes, Francisco de Arruda, Luciano Ossanes e Márcio Guedes (Engenheiros Agrônomos), Marcelo de Souza (Veterinário), Márcia Vesolosquzki e André Perleberg (Técnicos em Agropecuária), Joana da Silva (Técnico em Química) e Glaucilene Porciúncula (Assistente Administrativo) são integrantes da equipe do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Pelotas.