Artigo: Efeito Borboleta

04/02/21
Por: Glaucilene Porciúncula
glaucileneporciuncula@gmail.com

Uma das teorias mais conhecida é a Teoria do Caos, a qual foi estudada e comprovada cientificamente pelo meteorologista Edward Lorenz no início da década de 1960. De acordo com essa teoria, uma mudança muito simples em um evento, como o bater de asas de uma borboleta, poderia ocasionar resultados totalmente diferentes e imprevisíveis de um evento que não sofresse essa mudança.

Como exemplo vamos supor que os pais do Jair Bolsonaro nunca tivessem se conhecido. Ele não teria nascido e hoje teríamos outra pessoa ocupando o lugar da Presidência da República. Podemos imaginar um presidente que, independente do partido, tivesse tomado outras escolhas no início da pandemia. E não é difícil imaginar um presente bem diferente do que temos hoje.

Para começar, o Presidente poderia ter escolhido investir nas pesquisas do Instituto Adolfo Lutz por ter saído de lá o primeiro sequenciamento do genoma do vírus Covid, feito por brasileiros depois de apenas 48 horas do vírus ter sido encontrado em solo latino, mais especificamente, em São Paulo. Com mais investimentos em outras instituições para que o benefício da troca de informações apressasse e multiplicasse os resultados positivos, Universidades Federais, Fundação Oswaldo Cruz (Fio Cruz) e Instituto Butantan trabalhariam no desenvolvimento de vacinas e logo estaríamos produzindo em larga escala. E com o desenvolvimento de uma vacina nacional, não só teríamos o imunizante à preço de custo, mas também poderíamos exportar para outros países, fortalecendo alianças importantes com parceiros como nossos países vizinhos.

Outra providência que teria mudado muitas vidas, sobretudo das famílias das mais de 220 mil pessoas vitimadas pelo Covid, seria o endurecimento nas medidas para incentivar o isolamento social e o uso de máscaras. E para elaboração de uma política eficiente na aplicação dessas medidas poderíamos contar com equipes de especialistas das mais diferentes áreas, porque dispomos de uma gama de estudiosos mal aproveitada pela falta de incentivos governamentais e porque precisamos de profissionais gabaritados para delinear estratégias com real chance de resultados positivos. Esse seria o momento perfeito para darmos voz a quem entende do assunto. Possivelmente, não salvaria todas as 220 mil vidas, mas empurraria esse número para baixo, com certeza.

Muitos outros cenários poderiam ser imaginados para ilustrar o quanto uma simples alteração num evento inicial pode modificar de forma drástica o futuro de milhões de pessoas. Devemos lembrar disso na hora em que conhecemos pessoas e decidimos nos envolver com elas? Sim. Embora é quase impossível prever a qualidade da contribuição que nossa futura prole irá deixar. Mais fácil estarmos atentos para o número digitado na urna eletrônica, o que também é tão simples quanto o bater de asas de uma borboleta. Entretanto, estarmos desatentos nesse simples “digitar de números” já provou que pode nos trazer consequências desastrosas e fazer com que tenhamos a sensação de que “Caos” não apenas dá o nome à Teoria de que falamos, mas também descreve bem nossa atual situação enquanto País.

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