Notícias de chorar

30/03/21
Por: Glaucilene Porciúncula
glaucileneporciuncula@gmail.com

Nunca se noticiou tanto sobre vacinas e sobre mortes nesse país. Talvez porque tenhamos chegado à marca de 300 mil mortes ou porque, cada vez mais, estamos vendo parentes e conhecidos serem levados por essa doença e talvez porque estamos na expectativa de ter as pessoas que amamos vacinadas, ou porque só procuramos por mais informações sobre a vacinação. Não dá para ser exato. Mas também não dá para não perceber que essas notícias estão nos atropelando a todo o momento.

Soube hoje que meu irmão foi vacinado. Porque ele conta com uma década de vivência a mais do que eu e por morar na Capital – centro de grande contágio -, estava preocupada com ele. Depois de uma certa idade, aceitamos, embora com alguma relutância, a ideia de vermos nossos pais partirem, mas quando isso acontece, ficamos ainda mais ligados ao que sobrou deles: nossos irmãos. Por isso, receber a notícia de que ele está imunizado me levou às lágrimas. Foi uma mistura de alívio com felicidade indescritível.

Penso nos familiares que receberam notícia diversa dessa, nas pessoas que perderam seus amores e amigos para essa pandemia. Suas lágrimas, mais pesadas e difíceis, são também sentidas por todos nós que estamos irmanados pela mesma condição humana e, por que não dizer, brasileira. Nunca sabemos quem será o próximo a se contaminar, pois estamos vulneráveis ao vírus, mesmo com a vacina. A única garantia que a vacina nos dá, e já é muita coisa, é que ficamos protegidos das complicações advindas da doença e, principalmente, protegidos da morte.

Mesmo que alguns se manifestem contra a vacina, ela é o único meio de sobrevivência dentro desse caos que a pandemia e a má gestão do país nos colocaram. Já que não podemos contar com um redirecionamento na condução do combate ao vírus pelas autoridades, temos somente a vacina como esperança de sobrevivência. Não só sobrevivência de cada um, como também, do maior número de pessoas possível.

Enquanto seguirmos a onda negacionista da gravidade da situação em que o Brasil chegou, em nome de um patriotismo irracional, continuaremos a receber notícias tristes do aumento de vidas sendo ceifadas pelo coronavírus. Ao passo que respeitando o distanciamento social, o uso de máscara e tomando a vacina, estaremos cuidando de nós mesmos e daqueles que amamos para que num futuro, não tão distante, só notícias felizes nos façam chorar.

Foto: Pixabay