Tempos nebulosos

12/07/21
Por: Glaucilene Porciúncula
glaucileneporciuncula@gmail.com

           Dias frios e manhãs de neblina têm sido nossos companheiros nos últimos tempos. Parece que o clima resolveu refletir o sentimento que permeia nossas famílias com as consequências advindas dessa pandemia. Uns lutam contra as sequelas do vírus, outros com o medo de ver seus amores contagiados, e outros com a saudade dolorida daqueles que morreram.

            Justamente no início da manhã, em que devemos começar nossa jornada diária, é que surge a névoa para tumultuar as nossas certezas e exigir uma dose extra de determinação. O sol é o único capaz de dissipar esse vapor e renovar nossas esperanças em enxergar um futuro melhor e um tratamento para nossas cicatrizes.

            Enquanto acompanhamos a CPI da Pandemia, fazemos os cálculos de quantas mortes poderiam ter sido evitadas. Mesmo que dentre nós haja quem não tenha sido diretamente atingido, não tem como não nos solidarizarmos, como não chorarmos com aqueles que perderam seus entes queridos. E se fosse nós? E se fosse conosco? Como conviver com o risco permanente de entrarmos para as estatísticas?

            O inverno deste ano acabou por se mostrar o mais frio da última década, pois acrescido à massa de ar frio, a saudade também é fria e cinza, principalmente, no início, porque nos congela e tira um pouco da cor de nossos dias. Ao sabermos da saudade que muitos estão deixando, somos impactados, embora não da mesma forma que os diretamente envolvidos, mas perdemos junto com cada mãe, cada pai, cada filha e cada filho que se foi, um pouquinho desse amor que já não teremos mais por aqui.

            Precisamos nos aquecer de empatia, esperança e solidariedade, e lembrarmos que estamos todos sob a mesma tempestade, apenas em embarcações diferentes. Porque cultivar o amor é o único caminho para restaurarmos os raios solares que abrirão o tempo, trazendo clareza as nossas ideias e confortando os nossos corações. E, dessa forma, afastaremos as trovoadas de ódio que se aproximam com as velhas campanhas políticas propagadoras da violência e da discórdia e sustentaremos, de uma vez por todas, aquele que há de representar a consciência coletiva de que somos um: o Sol.